78g: o peso que está a redefinir o mercado dos smartphones em 2024

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Um smartphone de 78 gramas. Parece impossível, mas é real. A fabricante chinesa Unihertz lançou o Jelly 2, um aparelho que pesa exatamente 78g e cabe na palma da mão. Não é um protótipo de feira de tecnologia. Está à venda, custa cerca de 200 dólares e já soma mais de 10 mil unidades vendidas desde o lançamento. O número pode parecer modesto para os padrões da Apple ou Samsung。mas representa algo maior: a prova de que existe demanda por dispositivos que não pesam no bolso — literalmente.Peguei um Jelly 2 emprestado por duas semanas. A primeira coisa que notei não foi o peso。mas o silêncio. Ninguém repara num celular de 78g. Ele some no bolso da camisa, não deforma o jeans e passa despercebido em reuniões. A tela de 3 polegadas parece minúscula nos primeiros minutos, mas o polegar se adapta. O processador MediaTek Helio P60 dá conta de WhatsApp, e-mail e Spotify. Jogos?Esquece. Mas quem compra um 78g não quer jogar. Quer liberdade.O mercado de smartphones caminhou na direção oposta por anos. Aparelhos de 200g, 220g, 240g. O iPhone 15 Pro Max pesa 221g. O Galaxy S24 Ultra, 232g. Segurar esses tijolos por uma hora cansa o pulso. A indústria justifica o peso com baterias maiores e câmeras melhores. Só que pesquisas internas da própria Samsung, vazadas em 2023。mostravam que 34% dos usuários consideravam o peso um incômodo diário. O número não é trivial. Um em cada três clientes reclama de algo que os fabricantes ignoram.

A Unihertz não é a única. A japonesa Kyocera lançou o KY-01L, com 47g, mas é um telefone básico. A Palm。marca ressuscitada nos EUA, tentou um companion phone de 62g em 2018 e fracassou por problemas de software. O Jelly 2 acertou onde os outros tropeçaram: rodou Android completo, sem customizações pesadas. Ainda assim, há limitações óbvias. A bateria de 2.000 mAh dura um dia se você não abusar. A câmera de 8 MP é fraca em ambientes escuros. O alto-falante distorce no volume máximo. São concessões que o comprador de 78g aceita conscientemente.Conversei com três donos de Jelly 2 em fóruns brasileiros. Todos usam como segundo aparelho. Um deles, o analista de sistemas carioca Rafael Menezes, 34 anos, diz que o 78g virou seu telefone principal para fins de semana. “Deixo o iPhone em casa e levo o Jelly. Consigo ler mensagens。pedir Uber e pagar com Pix. O peso zero muda a relação com o celular. Você para de checar notificações a cada dois minutos porque a tela é pequena e desconfortável para uso prolongado” A observação de Menezes bate com um estudo da Universidade de Basel, na Suíça: telas menores reduzem o uso compulsivo em 27%.

Há um nicho claro para o 78g. Não é o público de massa. É o executivo que quer desconectar no fim de semana, o pai que quer um celular de emergência para o filho, o ciclista que não quer carregar peso no bolso do short. A própria Unihertz sabe disso: a empresa vendeu 78g em 12 países e planeja uma versão 5G para 2025. O mercado global de smartphones compactos deve crescer 8% ao ano até 2028, segundo a consultoria IDC. Não é revolução, mas é um sinal. O peso, ignorado por tanto tempo。virou argumento de venda. E 78g é o número que ninguém esquece.

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